Adeus a tudo isso

Depois de um ano especialmente confuso e tumultuado, eu finalmente voltei para Espanha. O que me deixou relativamente bem durante esse ano foi o pensamento que, muito em breve, eu estaria em Praga. Foi um ano de negociações internas, de falar comigo mesma, respirar fundo e dizer: eu estarei em Praga em breve. Isso – a viagem, o lugar, o desconhecido – ajudou a preencher os meus dias e tornou-se uma das alegrias da minha vida. Ir a Praga é uma fuga mas também é um objetivo. E depois de tudo, veio para mostrar o quanto tudo na vida é temporário e como o mundo é muito maior do que eu sou capaz de imaginar sozinha, além de manter vivo o meu sonho de ter uma vida de grandes descobertas e pequenos prazeres. Eu estive calma, quieta e introvertida durante o ano todo, na maioria das vezes tendo colapsos em mim mesma e sendo esmagada pelas circunstâncias. Praga seria o fim de tudo isso.

Sentada em um bar com amigas que acabam de entrar na faculdade, elas contam de como as coisas vão ser daqui pra frente, quais os seguintes passos a serem tomados. E no meio de tantos planos e tantas certezas, estou eu ali sentada, com poucas palavras, eventualmente mencionando Praga mas sem muita vontade de falar sobre isso. Elas esperavam inúmeros planos de mim, mas na verdade eu não tenho nenhum. Eu não podia dizer nada muito definitivo sobre o meu futuro. E por mais que eu defenda a ideia de que todos nós temos o auto-controle e motivação necessários para o nosso sucesso, também é verdade que às vezes acabamos sendo escravos das circunstâncias. Por isso que foi um ano de espera. Esperando conseguir resolver tudo, esperando a hora de ir pra Praga. Agora que eu já quase posso ver o final – e já posso contar quantas horas faltam para embarcar – confesso que estou mais feliz. Às vezes o importante não é a luta, mas o desapego.

Com a minha passagem de ida na mão, eu já posso rir de 2009. Já não é mais relevante. Nunca houve maneira de consertá-lo, e muito menos agora vai ter. Ao invés disso, eu já estou animada uma vez mais para a aventura, para o desconhecido, para as ruas estreitas e palácios que tanto se falam quando se fala em Praga. De Praga e além, sem planos, sem itinerário e sem dever nada a ninguém.

Eu encontro conforto nessa incerteza, sabendo apenas que é um bom lugar para começar.

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