As partes de um todo

Diversos grupos de turistas caminham observando os prédios ao redor da praça. Encantados, todos admiram os detalhes da arquitetura e tentam imaginar como foi que tudo isso foi construído com tanta beleza, grandiosidade e ao mesmo tempo, delicadeza. Vejo as tentativas de capturar tudo em uma foto – quase uma obrigação em favor da memória e da lembrança de cada detalhe. Como se fosse possível eternizar cada traço, janela, pintura dourada e quem sabe até, as sensações que foram causadas ao olhar um lugar assim. A atmosfera, o clima, o ar. O que tem no ar daqui? História para alguns, romance para outros. E um mistério para quem ainda não prestou atenção nisso.

Vista de Praga

Viajantes andam quase apressados por aqui, tentando encaixar suas câmeras fotográficas entre uma pessoa e outra, para não deixar de capturar a imagem daquele monumento que no seu guia turístico está classificado como um “must-see”. Você não pode deixar de ver. Eles trazem um resumo sobre a história do lugar e também dizem o que esperar quando chegar lá. Começa assim uma experiência que será para sempre limitada, por conta da idealização e limitação de um lugar.

Mesmo que muitas vezes os guias facilitem a vida de quem viaja, é inevitável perceber que por outro lado, generalizar as características de um lugar é perigoso e tende a fazer com que as cidades se tornem brandas e nada além do que um conjunto de monumentos e pontos turísticos. É lógico que ele devem ser visitados, mas como descrever de verdade o meu lugar aqui em Praga? Como falar dos atalhos que passam por ruas onde as casa tem as fachadas coloridas e os telhados alaranjados? Como descrever o estilo de vida simples, porém forte, que os tchecos levam? Como explicar as diferentes luzes do dia e o efeito que elas provocam quando refletem no rio ou na ponta dourada de alguma torre?

Vista de Praga

Eu leio e uso guias turísticos para pesquisar informações práticas sobre um determinado lugar, mas discordo da liberdade que eles tem de evitar as surpresas e os sentimentos, muitas vezes indescritíveis, de se estar em um lugar novo e de descobri-lo no seu próprio ritmo. Assim como não é possível capturar todas as características e sensações de um lugar em uma foto, também não é possível estabelecer um limite ao que deve ser visto, conhecido e sentido.

Eu olho para o mapa e o mundo parece pequeno. Eu sei que na verdade não é, mas olhando assim eu tenho a impressão de que ele é, pelo menos, finito. Sempre mudando, sempre diferente, mas finito no seu tamanho.
De certa forma esse pensamento me conforma, que há tanto para ver mas ao mesmo tempo é apenas o suficiente.

Existe um mundo e suas possibilidades infinitas de encontrar algo que gostamos, mesmo quando inesperado, algo com o qual podemos ter uma identificação. Existe algo para mim em todos os lugares que eu vou, assim como existe algo para você também. Mas só se você permitir.

Cúpulas em Praga

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8 comentários sobre “As partes de um todo

  1. Olá Isadora! Conheço seu blog a pouco tempo mas já me apaixonei por ele. Suas fotos são incríveis! Você tem talento para fotografar. Sem falar na sua escrita que mostra uma perspectiva só sua de ver o mundo, com delicadeza e que mostra sua sensibilidade. Parabéns!!! Já sou fã!

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