Sobre viajar sozinha e pertencer ao mundo inteiro

Às vezes a minha memória falha em lembrar de todas as coisas que já aconteceram enquanto eu viajava sozinha, mas de um fato eu tenho certeza: quando eu viajo sozinha, eu pertenço ao mundo inteiro. Se eu ainda não conheço o lugar, eu conto com o conhecimento de desconhecidos para chegar onde eu preciso. Se eu preciso de ajuda, eu confio na bondade de quem se dispõe a me ajudar. Como naquela vez que eu deixei cair o cartão da imigração, um estranho me entregou e garantiu assim, uma entrada sem problemas no país. Ou naquela vez que eu esqueci o meu diário de viagem e o meu mapa na mesa do restaurante e o atendente veio correndo atrás de mim para devolver.

Viajar sozinha não é sinal de solidão e também não é nenhum desafio ou provação para si mesmo. Por que é tão difícil tomar nossas decisões sozinhos? Nós não precisamos de ninguém conhecido por perto para reafirmar que estamos bem, que estamos nos divertindo, que estamos aproveitando a nossa própria companhia. Ou, pelo menos, não deveríamos precisar.

Quando eu viajo sozinha, ninguém sabe quem eu sou, de onde eu vim ou qual é a minha trajetória. Ninguém sabe se eu já conheço tudo ou se eu acabei de chegar. Ninguém sabe se eu vim de longe para ficar ou se estou só de passagem. Quando eu viajo sozinha eu também não sei sobre ninguém e por isso quem viaja sozinho pertence ao mundo inteiro. Sem exceções.

Quem sou eu neste país desconhecido? Talvez eu esteja aqui por engano. Talvez eu seja uma turista. Talvez eu seja uma curiosa ou uma pessoa que já está aqui há muito tempo. Ou talvez eu seja só mais alguém tentando entrar em sintonia consigo mesma. Bem assim, como todo mundo.

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10 comentários sobre “Sobre viajar sozinha e pertencer ao mundo inteiro

  1. Olá Isadora!
    Não sei mais deixarei o que penso, li e me vi em suas dúvidas e em seus sentimentos e acredito que nuca estamos sós, mas sim desacompanhados, rssss.
    Esse sentir acredito eu que seja por pertencermos mesmo ao mundo inteiro e não no local apenas que aparecemos em cada vinda, (acredito em várias).
    Apenas lhe pergunto se assim me permite fazer, se em algum momento por mais estranho que pareça teve vontade de se perguntar: “Eu conheço esse lugar”, “Eu acredito ter visto essa pessoa”, se sim, a resposta está dada.
    Viajar é onde as pernas alcançam, como dizia meu velho pai é retornar a visitar todos os locais por qual já passamos. 😉

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  2. Oi Isadora, tudo bem?
    Este foi o primeiro post que eu li de seu blog e adorei. Já tive experiências de viajar sozinha. Foram poucas, mas me ensinaram muito. Outra coisa que eu perdi o “receio” de fazer enquanto morava fora era ir a shows sozinha. Percebi que sempre é melhor ir sozinha do que deixar de ir simplesmente por não ter companhia. Não nascemos grudados a ninguém! Haha É uma delícia viajar com uma boa companhia, mas acho lindo quando a nossa própria companhia já é suficiente.

    Vejo pelas categorias do seu blog que você já conhece o mundo. Admiro muito isso! Um dia eu chego lá, pouco a pouco! Estou seguindo o blog! 😉

    Beijão e boa semana,
    Brenda
    http://sobrelivrosetraducoes.com.br/

    Curtido por 1 pessoa

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