O relógio, o tempo e a morte

Do lado esquerdo, está a vaidade com um espelho na mão e a avareza segurando um saco de dinheiro. Do lado direito, uma estátua representando a invasão pagã (um dos medos da sociedade na época em que o relógio foi construído) e do seu lado está a morte, representada por uma caveira que toca um sino a cada hora que passa. No centro, está o mostrador astronômico que é um tipo de planetário primitivo que mostra como está o universo neste exato momento. Desde o ano 1410, Praga tem suas horas marcadas por esse relógio astronômico, localizado na Praça da Cidade Velha. Foram milhões de pessoas que passaram por aqui e viram o tempo passar nesse relógio. Foram milhares de horas passadas, perdidas, aproveitadas, vividas. Foram incontáveis as vezes que a “morte” tocou o sino e nos fez lembrar que de nada adianta a vaidade, a avareza ou o medo. O tocar do sino lembra que cada hora a mais é na verdade uma hora a menos. E que de nada adianta observar o relógio, confundi-lo com o tempo e ouvir o seu sino se no fundo não escutamos o que ele quer dizer:
Aproveite
Aproveite
Aproveite

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(O texto acima foi publicado aqui no blog em março deste ano. Hoje, o Relógio Astronômico de Praga completa 605 anos, e por isso eu voltei a publicá-lo.)

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10 comentários sobre “O relógio, o tempo e a morte

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