Guest Post – As vantagens de ser au pair

Quando recebi o convite de Isadora para escrever este guest post para o Vai sem medo (do qual sou leitora assídua), pensei em vários temas. Poderia escrever sobre os tão amados livros e os pontos turísticos relacionados à literatura que eu mais gostaria de visitar; poderia escrever sobre o Hotcourses Brasil, site para qual eu trabalho como editora há mais de quatro anos, ajudando os brasileiros a encontrar um curso no exterior; ou então escrever sobre os [poucos] países que eu já conheci.

Entretanto, a minha única experiência verdadeiramente internacional foi o meu intercâmbio como au pair nos Estados Unidos. Os 18 meses em que eu morei na Virginia entre 2010 e 2011 mudaram a minha vida – apesar de já aparentarem ter acontecido em outra vida. Desde então, eu me tornei uma verdadeira garota-propaganda do programa, porque ele é extremamente vantajoso, do aspecto financeiro ao cultural.

Mas antes de enumerar as vantagens, cabe aqui uma pequena explicação. Ser au pair significa morar por um ano na casa de uma família nativa, no caso norte-americana (mas o programa é oferecido em outros países também, como França, Alemanha e Irlanda), com um visto J-1 de intercâmbio, que permite ao estrangeiro estudar e trabalhar nos Estados Unidos. A au pair trabalha como nanny, cuidando das crianças da host family por 45 horas semanais e recebe um salário fixo obrigatório, além de ganhar uma bolsa da família com a finalidade de pagar pelos estudos no país.

Cabe no bolso

O programa de au pair sempre foi um dos intercâmbios mais financeiramente acessíveis. Além do valor total do pacote pago à agência ser relativamente baixo em comparação a outros tipos de programa, ser au pair significa também poder trabalhar legalmente no país, ter um salário fixo e não precisar se preocupar com os gastos com acomodação e, normalmente, alimentação. A host family deve dar casa e comida à intercambista.

Imersão total na cultura local

A homestay, ou seja, o tipo de acomodação na qual você mora com uma família local é a melhor no quesito imersão cultural. Você aprende a rotina e os costumes deles; pratica diariamente o inglês em situações diversas; tem sempre alguém por perto para tirar suas dúvidas e corrigir a sua pronúncia; além de ser reconfortante saber que você estará em um ambiente familiar.

E você pode potencializar esta imersão de algumas formas: crie uma relação boa e de respeito com os seus host parents; procure jantar sempre com a família e usar este tempo para conversar e praticar o inglês; converse bastante também com as suas kids durante as horas de trabalho e faça programações diferentes com elas, que possam ajudar a aumentar o seu vocabulário – cinema, parquinho, playdate, etc. (não os subestime, as crianças vão te ensinar muito); faça perguntas e não tenha medo de errar.

Desde o início, a minha host family se mostrou muito aberta ao diálogo. Eu jantava com eles e nós conversávamos muito sobre tudo, de música às diferenças entre nossas culturas. O meu host dad era um americano patriota bem típico; no começo, estranhei um pouco, mas logo aprendi a lidar com o jeito dele e usá-lo a meu favor – ele sempre corrigia minha pronúncia e me explicava coisas que eu não entendia, o que foi bastante proveitoso para o meu aprendizado.

Você escolhe onde e com quem morar

É sempre bom lembrar que você não precisa ter pressa na hora de escolher a sua família americana – o famoso match. Durante os preparativos, ficamos ansiosas para encontrar o nosso cantinho nos EUA e acabamos nos empolgando quando alguma família demonstra interesse. Converse e pondere sobre todas as informações antes de aceitar o match. Se não estiver cem por cento certa em relação à família, você pode continuar a conversar com outras até encontrar uma que combine melhor com você e com seu estilo de vida. Escutamos histórias terríveis de matches que não deram certo, mas há muito mais casos em que ele dá tão certo que a au pair acaba virando parte da família.

Tem algumas perguntas muito importantes que não podem deixar de ser feitas: de quantas crianças você cuidará? Você terá que conduzi-las (ou seja, vai precisar dirigir bastante)? Terá um carro ao seu dispor, principalmente no tempo livre? (Acredite, isto é essencial nos EUA, onde as coisas ficam muito longe uma das outras.) Você terá de trabalhar aos finais de semana? Quais tarefas domésticas serão de sua responsabilidade? Onde fica o seu quarto e você terá que compartilhar um banheiro com as crianças?

Eu, felizmente, tive uma experiência maravilhosa. Eu fechei o programa com a terceira família com quem conversei (pela agência Experimento, no Brasil, e a Au Pair in America). Cuidei de dois meninos, Jack e James, de cinco e três anos, nos subúrbios de Washington, D.C., na Virgínia. A minha host family foi muito receptiva e me tratava como parte da família. Os meus host parents eram jovens e amavam rock – várias vezes eles me pagaram um dinheiro extra para cuidar dos meninos à noite para que eles pudessem ir a shows de rock na região. A família tinha um carro só para a au pair, porque eu precisava levar o mais novo à escola e, por vezes, precisava comprar algumas coisas para a casa no mercado. Aos finais de semana, o carro era meu. Meu horário era das 8h30 às 17h30 e não precisava trabalhar aos finais de semana. Sempre que, por qualquer razão, eu precisasse fazer hora extra, minha host mom me pagava adequadamente. Eu precisava arrumar a cama dos meninos, lavar suas roupas e arrumar qualquer bagunça deles na casa – apesar de logo eu ter os ensinado a cuidar da própria bagunça.

O meu quarto ficava no basement (o porão, que é um andar inteiro no subsolo) e eu tinha um banheiro só para mim. Esta privacidade foi essencial, porque, por mais que tenhamos uma relação boa com a família, não podemos esquecer que moramos no trabalho – por isso, achava fundamental ter algumas horas do dia para me isolar um pouquinho.

Os estudos

Além de trabalhar, a au pair precisa estudar. O programa exige que a intercambista curse um número certo de créditos acadêmicos para manter o status legal de imigração e também para poder renovar o visto – se você pretende permanecer por mais seis, nove ou doze meses permitidos pelo programa. Uma vez adaptada à vida nova, é muito fácil cair na rotina e se esquecer dos estudos. Estudar nos Estados Unidos é uma chance inigualável e a oferta de cursos é muito grande.

Eu pretendia melhorar a proficiência no inglês; no entanto, logo no início, a minha host family me orientou a procurar outro tipo de curso porque eu já tinha uma fluência boa no idioma. Eu acabei investindo meu próprio dinheiro, além da bolsa simbólica que ganhamos da família, e fiz vários pequenos cursos na região: um curso de educação continuada de Introdução à Interpretação e de Vocabulário e Terminologia; um curso online de edição de texto; cursos de finais de semana de “Como ensinar pronúncia” e “Como lecionar inglês a iniciantes” na faculdade comunitária da Virgínia; e um curso em Baltimore, Maryland, de Turismo e Hospitalidade.

As viagens

Mais uma vez, direi: não se acomode na rotina. Quando passamos a nos sentir em casa, acabamos esquecendo que estamos em um país diferente, cheio de lugares maravilhosos para conhecer, seja a meia hora de casa ou na outra costa. Planeje pequenas viagens no final de semana; abuse das passagens de ônibus a baixo custo (algumas companhias oferecem viagens por um dólar); programe suas férias com as amigas; conheça a região em que você mora… Em 18 meses eu conhecia mais dos Estados Unidos do que do meu próprio país – Washington, D.C, Nova York, Orlando, Miami, Las Vegas, Los Angeles, San Diego, Chicago, etc. Mesmo assim, hoje, acho que eu poderia ter aproveitado e conhecido muito mais. E não só isso. Vá a shows, baladas, eventos culturais, cafés; visite museus, galerias de arte, exposições, pontos históricos, praias, parques nacionais, cachoeiras; prove cheesecake, donut, cheeseburguer e outros pratos locais; vá ao mercado, lojas, outlets, etc.

As crianças

Nós viajamos como au pair para os Estados Unidos (ou qualquer outro país) pela experiência cultural internacional; para morar e estudar no exterior; para aprimorar a fluência no inglês. Mas o programa de au pair só é possível graças às famílias interessadas em ter uma babá dentro de casa. Por isso, você PRECISA gostar de crianças para participar deste programa.

Você vai ter muito tempo livre para aproveitar a sua estadia, no entanto, não pode se esquecer que trabalhará 45 horas por semana. E não é qualquer trabalho, não. É uma tarefa de extrema responsabilidade cuidar do bem estar de crianças, que estão acostumadas a se apegar a au pair e, em um ou dois anos, vê-la partir, para novamente ter de se acostumar com alguémnovo. Enquanto seus pais, os host parents, trabalham fora e mal têm tempo para elas.

Quando me mudei, levei umas três semanas para me adaptar às crianças e vice-versa. Eu havia acabado de me graduar em Jornalismo, aos 21 anos, e ficava me perguntando por que, cargas d’água, tinha me mudado de país para trocar fraldas. No entanto, não demorou muito para que eu me apaixonasse pelos pequenos e, até hoje, morro de saudades deles.

Com certeza, você ouvirá comentários de que “ser babá para gringo” é, de alguma forma, inferior. Não dê ouvidos. Esta visão é bastante ultrapassada e limitada. Ser au pair é uma experiência enriquecedora!


Sobre a Brenda: Brenda Bellani tem 28 anos e é do interior de São Paulo. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução. Trabalha como editora de conteúdo web e tradutora freelancer para o site Hotcourses Brasil há quatro anos. É uma leitora assídua, dona de uma lista infindável de livros-que- quer-ler e do blog-xodó Sobre Livros e Traduções. Durante os meses de intercâmbio nos Estados Unidos, manteve um registro online chamado Few miles from home, no qual escreveu sobre a experiência de ser au pair.

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