Sobre o deserto do Sahara

Nós tínhamos acabado de subir nas dunas de areia mais altas que podíamos ver naquele lugar. Era um dia desses da semana, já passavam das três da tarde e o deserto do Sahara estava impressionante como sempre. Bom, como sempre que eu imaginei que fosse, já que era a primeira vez que estava ali de verdade. Eu só conseguia ver os seus olhos, mas eu sabia que aquele menino do deserto estava sorrindo. As rugas no canto do seus olhos o entregaram e eu sabia que ele estava feliz de estar ali. Existia toda uma preparação por trás daquele momento tão “simples”. A ideia era fazer um passeio de dromedário, subir nas dunas, sentir o calor da areia e admirar aquela paisagem tão real e mística ao mesmo tempo, se é que isso é possível. Mas estava claro que existia uma expectativa daqueles homens que moram ali no deserto… eles estavam a nossa espera, querendo nos mostrar a casa deles e a maneira como eles vivem. Acho que o nome dele era Mohammad e eu ainda podia ver que ele continuava sorrindo, por conta das rugas que se formaram ao redor dos seus olhos.

Deserto

O sorriso em si – a boca, os dentes, a expressão – eu não vi. Aquele turbante tão longo acabou escondendo essa parte, mas olhos não enganam. Ele subiu as dunas ao meu lado e tomou muito cuidado para que eu não me perdesse ou cansasse muito durante o caminho. Manteve distância mas eu sabia que ele estava ali caso precisasse. Chegamos ao topo de uma das dunas e assim como Mohammad não conseguia esconder o sorriso por causa dos seus olhos, eu também não podia esconder o meu encantamento olhar ao meu redor. Tudo tão igual e ao mesmo tempo tão diferente: o deserto é realmente um lugar impressionante. E foi assim que eu comecei a conversar com ele. Mohammad tem a minha idade, 19 anos, e nasceu ali, em algum vilarejo na entrada do deserto do Sahara. Enquanto descíamos das dunas de volta ao nosso acampamento, ele me contou que nunca viu o mar e que até tem curiosidade, mas que também tem medo. Ele também nunca viu uma cidade grande, nunca frequentou a escola (apesar de falar 5 idiomas com fluência!) e me confirmou que gosta muito da vida simples que ele tem: é a única vida que ele conhece. Levar os visitantes para subir nas dunas é uma diversão, ele me conta. Assim ele teve a oportunidade de aprender outros idiomas e de escutar histórias sobre o mar, a cidade grande, os prédios altos, trânsito e barulho de ambulância. Mas ele é feliz assim – cuidando dos animais, tomando chá de menta com açúcar, observando como as dunas mudam o tempo todo e a noite, admirando o céu que preserva, além de uma escuridão sem igual, um silêncio infinito onde só o universo fala e é ouvido.

Dunas do deserto

Não há nada que possa ser dito sobre isso, eu pensei, enquanto sentia o vento e a areia cortando a minha pele. As coisas simples da vida têm o valor que cada um dá a elas: ou tratamos como se fossem primordiais, ou deixamos que sejam insignificantes. No fim de tudo, somos apenas detalhes complexos disso tudo e não sei você, mas eu quero que nesse “fim”, tudo seja significativo e importante. Seja simples ou complexo: seja feliz. E deixe que a sua atitude faça a diferença.

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